
Entenda a Criança Interior e Seus Comportamentos
O conceito de criança interior aborda as partes sensíveis, espontâneas e vulneráveis que se formaram na infância, influenciando nossas emoções, pensamentos e comportamentos na vida adulta. Descubra como essa conexão impacta sua vida.
Francisca Lopes
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Criança interior ferida: o que é e por que esse conceito importa
O termo criança interior é uma metáfora psicológica que representa as partes mais sensíveis, espontâneas e vulneráveis de nós — aquelas que se formaram na infância e continuam, de alguma forma, influenciando nossas emoções, pensamentos e comportamentos na vida adulta. Quando falamos em “criança interior ferida”, estamos nos referindo a experiências não processadas do passado que ainda reverberam dentro de nós, pedindo acolhimento e cuidado.
Essa ideia ganhou força a partir das teorias da psicologia humanista e analítica. Carl Gustav Jung (1969) foi um dos primeiros a introduzir o conceito do puer aeternus — o “eterno menino” — para descrever o aspecto infantil e criativo da psique humana. Posteriormente, autores como John Bradshaw, em “Homecoming: Reclaiming and Championing Your Inner Child” (1990), e Alice Miller, em “O Drama da Criança Bem Dotada” (1983), aprofundaram a compreensão sobre como feridas emocionais precoces moldam nossa identidade, autoestima e relacionamentos.
Essas feridas costumam se originar de situações em que, ainda crianças, não tivemos nossas necessidades emocionais plenamente atendidas: amor, segurança, validação ou liberdade de ser quem éramos. Com o tempo, aprendemos a esconder nossa dor por trás de máscaras — a da autossuficiência, da perfeição, da produtividade —, acreditando que isso nos protegeria. Mas essas estratégias, embora úteis no passado, se tornam limitadoras quando seguimos repetindo-as na vida adulta.
Trabalhar a cura da criança interior não significa “voltar ao passado”, mas sim aprender a reconhecer e acolher as emoções que continuam vivas dentro de nós. É olhar para si com gentileza, reconhecer a dor sem julgamento e oferecer a si mesmo o cuidado que antes faltou. Como afirma a psicóloga clínica Clarissa Pinkola Estés (1992), em “Mulheres que Correm com os Lobos”, “curar-se é retornar à própria essência — ao instinto de vida que sabe cuidar de si”.
Reconectar-se com essa parte interna é um caminho de autocompaixão. Quando aprendemos a ouvir nossa criança interior, passamos a agir de forma mais consciente, menos reativa e mais amorosa — tanto com nós mesmos quanto com os outros. Afinal, não há crescimento emocional verdadeiro sem o reencontro com quem fomos um dia.
Referências bibliográficas:
Bradshaw, J. (1990). Homecoming: Reclaiming and Championing Your Inner Child.
Miller, A. (1983). O Drama da Criança Bem Dotada.
Jung, C. G. (1969). The Archetypes and the Collective Unconscious.
Estés, C. P. (1992). Mulheres que Correm com os Lobos.

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