Será que estamos preparados para ser pais? A angústia silenciosa por trás da decisão de adotar
A dúvida sobre estar preparado para ser pai ou mãe é comum, especialmente diante da adoção. Medos, mudanças e inseguranças despertam antigas vulnerabilidades, mas não significam incapacidade. A prontidão não é absoluta: ela se constrói no caminho. O essencial não é estar pronto, e sim disposto a crescer, aprender e se transformar durante o processo.
. AUTOCONHECIMENTO E CURA INTERIOR
Francisca Lopes
12/13/20252 min read


Será que estamos preparados para ser pais?
A angústia silenciosa por trás da decisão de adotar
Quando um casal decide considerar a adoção, uma pergunta costuma emergir com força: “Será que estamos realmente preparados para ser pais?”
Apesar de parecer simples, essa pergunta carrega camadas profundas de história, expectativas e medos que muitas vezes começam muito antes da decisão em si. E não importa a idade, as condições de vida ou a estrutura emocional: esse dilema é humano, legítimo e absolutamente comum.
No caso de muitos casais, especialmente aqueles que já estão na casa dos 40 ou vivendo realidades de trabalho intenso, mudanças importantes ou instabilidades emocionais, a decisão sobre a parentalidade tende a despertar um turbilhão interno. É o que acontece com um casal que atendi recentemente: ela, 44 anos; ele, lidando com baixa contagem espermática; ambos no meio de uma fase cheia de responsabilidades e prestes a se mudar para o primeiro apartamento só deles. No meio disso tudo, a pergunta surgiu — junto da angústia.
A verdade é que ninguém se sente completamente pronto. A ideia de “prontidão” é, muitas vezes, uma fantasia construída para tentar garantir segurança em um território que, por natureza, é incerto. A parentalidade — biológica ou adotiva — envolve risco emocional, responsabilidade profunda e uma mudança de identidade. E toda mudança significativa ativa nossas vulnerabilidades mais antigas.
Autores como Donald Winnicott (1953) já lembravam que ser pai ou mãe não exige perfeição — exige apenas a “suficientemente boa” capacidade de estar presente, reparar, aprender e se adaptar. Já Alice Miller (1983) apontava como nossas próprias feridas infantis podem emergir nesses momentos, trazendo dúvidas sobre nossa capacidade de oferecer aquilo que talvez não tenhamos recebido. E John Bradshaw (1990) reforça que é justamente nesses momentos que a criança interior ferida pede espaço, acolhimento e escuta.
Para muitos casais, o medo não é sobre a criança — é sobre si mesmos.
Sobre a possibilidade de falhar, de não dar conta, de enfrentar antigas dores, de reorganizar a vida, de perder o controle.
E tudo isso é natural.
A adoção não exige perfeição. Exige consciência.
Exige coragem para olhar para dentro, reconhecer limites, dialogar com o medo e entender que a preparação não acontece antes da chegada da criança — ela acontece durante o processo, no cotidiano, nos ajustes, nas descobertas.
Se existe uma pergunta realmente importante aqui, talvez não seja “estamos prontos?”, mas:
“Estamos dispostos a crescer, aprender e nos transformar juntos nesse caminho?”
Porque é exatamente isso que a parentalidade — biológica ou adotiva — pede: transformação, presença e humanidade.

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